Nos anos 60, a Professora Edviges Pisco escreveu um diário sobre a sua experiência enquanto regente na aldeia de São Brissos, no Alentejo. Partindo dos seus diários, o filme retrata o presente da região, em que as marcas do passado parecem ainda ser sentidas.
A alquimia do cinema enquanto dispositivo de ligação entre passado e presente, a partir dos escritos de uma professora numa aldeia alentejana nas décadas de 50 e 60. Diário Antecipado articula memória e imagem para interrogar a persistência dos gestos, dos espaços e das condições de vida. As observações íntimas inscritas no diário ecoam no presente, revelando uma continuidade subtil: uma existência árdua, marcada por geografias humanas e paisagens que parecem resistir ao tempo. O filme sugere uma sobreposição, onde as diferenças se diluem e as permanências se insinuam. Primeira curta-metragem de João Sarantopoulos, Diário Antecipado constrói, com notável contenção, uma possível arqueologia do presente. Na sua candura e aparente simplicidade, revela um quotidiano que atravessa o tempo e persiste. (Susana Rodrigues)