Dois e um gato | IndieLisboa Patrícia Saramago

EVENTO TERMINADO

Cinema

A vida desarrumada de um jovem casal e do seu gato clandestino num quarto cuja renda não consegue pagar. Uma história de amor, partilha e esperança, inabaláveis e resistentes na sua ingenuidade à vida instável e desordenada dos nossos tempos.

Carta a realizadora ausente. Querida Patrícia, queria dizer-te pessoalmente que gosto muito do teu primeiro filme Dois e Um Gato. É um filme adulto sobre um casal jovem, com piadas pueris em corpo maduro, ou nem por isso, com risos matreiros em momentos sólidos. Nunca falei contigo mas conheço bem o teu trabalho e tanto que gosto. Talvez tenhas trabalhado em alguns dos meus filmes preferidos do cinema português e agora, deste-me/deste-nos este filme. Uma ode ao amor e à esperança – não entres pela porta, tens sempre a janela, levamos o gato e somos três, não há dinheiro para pagar a renda, não faz mal, um dia pagamos, agora não conseguimos. Mas dança comigo, dança se ainda for possível, neste mundo ou noutro lado. Sabes Patrícia que partilhamos o mesmo candeeiro cor-de-laranja? É exactamente igual ao meu, está no meio do filme e no meio da minha entrada. É o cosmos? A virtude? A dúvida? Palavras ao acaso é o que me apetece dizer. A vida é muito injusta. Logo agora. O filme. O outro lado. Este lado. Ao lado. Dançamos no mundo? Pois dançamos. E Dois e Um Gato? Não sei se gostavas da Françoise Hardy, mas se sim partilho contigo Le premier bonheur du jour, o teu filme trouxe-me uma memória do Godard. E Dois e Um Gato? Vamos celebrá-lo, mostrando-o.

Beijinhos do teu admirador Miguel Valverde

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