A solidão dos lagartos | IndieLisboa Inês Nunes

EVENTO TERMINADO

Cinema

Num spa rodeado de montanhas de sal, os visitantes desfrutam do calor, enquanto os salineiros, a poucos metros de distância, trabalham. As crianças correm para longe dos adultos e uma mulher perde-se nas salinas. Ao cair da noite, o espaço transforma-se, movido pelos desejos de quem por aqui passa.

Num spa há espaço para viver o langor, para os corpos se alongarem, mergulharem, pousarem em banhos flutuantes. Há um movimento lento que se propaga no ar, há vozes de hóspedes dispersas que se vão escapando, enquanto a luz se reflecte na brancura salina e a sombra projecta figuras e sons. Uma criança perde-se, um corpo recolhe-se e a noite vem carregada de mistério para desenhar uma atmosfera de murmúrios e desejos. Pelo dia há de novo luz e labor, há abandono e corpos a moldarem-se nas montanhas de sal onde recolhem. O peso aqui parece flutuar enigmático e os cristais de sal estendem um brilho intenso e magnético. (Carlota Gonçalves)

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