Um cântico de outro tempo desvela-nos os gestos primordiais e do quotidiano de uma família cigana, norteada pela errância do casal, Maria e Arménio. Na roda dos dias e dos ciclos da vida, a resistência e a celebração.
No mundo de Cochena tudo pode entrar: colher flores, deitar-se no chão, procurar caracóis, ver fotografias, evocar quem já cá não está e faz falta; acções reveladoras de um apelo de vida gigante. Maria e Arménio lideram este mundo e seguimos com eles por caminhadas, por conversas e encontros, por banalidades, confissões, reflexões. Seguimos com eles pela errância cigana que extravasa de vida, onde há fogueiras, danças e música, crianças e alegria. Um filme pontuado pelo tempo, pelos gestos, por festejos, por jovens e adultos, e pelo que pensam e dizem de repente. Um filme onde tudo flui e tudo parece vital. Um olhar de cinema que procura o que lhe dão numa imensa troca e que fica muito perto das pessoas. (Carlota Gonçalves)