Filmado em película de 16 mm e smartphone, Computadora funde ficção histórica e autobiografia numa meditação sobre as escolhas e os constrangimentos da vida, bem como sobre os sistemas e as categorias que moldaram a modernidade.
A narradora é feita alma para comunicar connosco a memória da vida passada na sua reencarnação como freira. O tempo corre com as imagens para alcançar as palavras que legendam a sua história com mais três freiras – as “Máquinas de Deus”. Foram convocadas pelo Observatório Astronómico do Vaticano para mapear e catalogar as estrelas do céu. As imagens transitam em cor, em movimentos, intermitências, em constelações de luz, objectos, figuras e em pessoas reais: as freiras. Ficção, factos e autobiografia interceptam-se, cruzam-se diferentes temporalidades; atravessam-se séculos e todo este micro-universo se concentra e se potencia para discorrer pensamentos e reflexões que viajam numa máquina do tempo. (Carlota Gonçalves)