Uma vaga de contaminação medida gota a gota afecta uma comunidade cujo alvo são as águas, através da acção de seres que operam furtivamente. Os habitantes vivem sob esta ameaça que se vai infiltrando neles como um veneno que age sobre as memórias que vão perdendo. Há pessoas a desaparecer, vive-se o medo que ronda, a imobilidade e a apatia começam a entrar nos corpos, os gestos alteram-se, os olhares evadem-se. O ambiente pesa de dia e de noite, o temor aumenta; num karaoke uma música sem voz propaga-se, procuram-se respostas, silenciam-se vozes. São visitados por estranhos que os querem despojar, controlar. O cerco aperta, é preciso resistir. (Carlota Gonçalves)