Nacionalismo Odete
EVENTO TERMINADOTeatro
O Falcão sobrevoa a falésia. Olha de cima para o Lince, que chegou à sua fronteira. “Salta”, diz-lhe o Falcão. “Se eu saltar, eu morro. A seguir a isto é só mar”, responde-lhe o Lince. “Que triste deve ser não poder ser livre”, diz-lhe o Falcão. “Dizes isso, mas quem é triste és tu, que nunca pousas. Só desces aqui para comer”, rosna-lhe o Lince. “Isso não é verdade.” “É, pois.” “Isso é inveja das minhas asas. Se tivesses asas não estavas à beira da extinção.”. O Lince (faça-se notar que é um lince ibérico), ofendido, corre mato adentro e desaparece. São lágrimas que humedecem os olhos do lince enquanto as urtigas lhe rasgam a pele. São lágrimas, meu senhor. Lágrimas de quem queria ser amado pelo Falcão que continua à caça, do alto do seu trono celestial. – Odete
Nacionalismo é uma peça que propõe atravessar a história da inscrição do conceito de “nação” de Portugal entre 1143 e o período do Estado Novo. Em cena, dois performers transgénero encarnam esta crítica: um traz passaporte português e identidade criptojudaica; o outro, passaporte sírio e identidade islâmica. Ao centralizar os corpos e as histórias que foram expulsas da ideia de Portugal, Nacionalismo propõe uma reconfiguração crítica da pertença, não como raiz única, mas como relação, tensão e convivência irreconciliada.
Quando
Reconhecimento de palco 1 hora antes. Legendagem em inglês e árabe.
Para Quem
Deficiência visual
Deficiência auditiva
Surdos
Adultos
Serviços
Audiodescrição
Legendagem
Língua Gestual Portuguesa